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Morte de adolescente transmitida por chamada de vídeo é desvendada pela Polícia em Chapecó

O crime ocorreu em julho de 2020. O processo contou com a colaboração do Google, Uber e WhatsApp, e resultou em quatro homens indiciados.

Por Rádio Progresso
Postado em 21 de setembro de 2022 às 09:45.00

Gustavo Farias – Foto: Reprodução/ND

A DIC da Polícia Civil de Chapecó (Divisão de Investigação Criminal de Fronteira) desvendou o crime de homicídio de um adolescente de 16 anos ocorrido na linha São Roque, no Oeste de Santa Catarina. O caso ocorreu um julho de 2020 e a investigação durou dois anos e dois meses.

A vítima, Gustavo Farias Chiesa, com apenas 16 anos no momento do crime, teria sido executado por ordem de uma facção criminosa do município. O corpo do adolescente foi encontrado em avançado estado de decomposição no dia 23 de julho de 2020, dias após a morte, ocorrida no dia 9 de julho.

O delegado do caso, Vagner Papini, explica que essa é uma das investigações mais difíceis já apuradas pela DIC, tanto pela complexidade de fatores quanto pela necessidade de auxílio internacional. “Não tínhamos testemunhas oculares, então foi necessário contar com apoio da Google, Uber e WhatsApp”, explica.

Conforme aponta a apuração, há dois motivos que teriam levado a condenação do jovem a morte, em um sistema que atua como “tribunal do crime”. Gustavo era integrante de uma facção criminosa e estaria envolvido com integrantes de outra facção, o motivo considerado uma traição na estrutura do crime organizado.

Além disso, o adolescente teria sido intimado para depor sobre outro caso de homicídio, onde ele seria um dos suspeitos. Na ocasião o jovem teria publicado no WhatsApp que iria dar um depoimento, publicação vista por dois amigos, também suspeitos no caso. Em função disso, o grupo estava com medo que Gustavo os delatasse. “Ele foi decretado pelo tribunal do crime, por traição e como uma forma de queima de arquivo”, explica Papini.

O caso

No dia 9 de julho o adolescente jogava sinuca no bairro Santo Antônio, com dois integrantes do crime organizado, os quais seriam amigos muito próximos da vítima. A partida foi interrompida e Gustavo foi encaminhado de Uber para o bairro Bom Pastor, supostamente para buscar drogas.

A vítima foi orientada pelos amigos e não sabia que seria morto, conforme aponta a polícia. Já no bairro Bom Pastor outro homem o encontrou, esse de 27 anos, o qual levou a vítima para uma casa onde ele foi julgado e condenado a morte pelo “tribunal do crime”.

A vítima foi atingida por quatro tiros e a morte foi transmitida ao vivo por uma chamada de WhatsApp. Quem assistia à execução eram os dois homens que haviam planejado o crime e são considerados os mandantes.

O corpo foi encontrado apenas no dia 23 de julho, em um matagal, na linha São Roque, interior do município de Chapecó, já em estado de decomposição, com a cabeça e um dos braços separados do corpo. Conforme a investigação, não há indicio de tortura, o fato pode ter sido causado pela decomposição e ação de animais.

Na época o corpo foi encontrado por moradores que foram rezar em uma gruta. A mãe do adolescente, de 49 anos, reconheceu o corpo do filho. Gustavo foi sepultado no dia 24 de julho no Cemitério Municipal de Chapecó.

Os suspeitos

Conforme aponta a investigação, quatro pessoas participaram do crime, dois planejaram e seriam os autores intelectuais, e dois são apontados como executores. Os suspeitos já foram identificados pela Polícia Civil, mas pela demora de dois anos e dois meses na apuração dos fatos, não há os requisitos para executar prisão preventiva.

Um dos suspeitos está foragido, pois há contra ele um mandado de prisão ativo. Quanto aos demais, eles respondem em liberdade e aguardam julgamento.

Fotos:
Fonte: ND+