08/06/2019 08:43

Seis meses após denúncia contra João de Deus, movimento na Casa Dom Inácio de Loyola cai 96% João Teixeira de Faria está preso desde dezembro de 2018. Acusado de abusos sexuais, ele nega os crimes.

Passados seis meses da denúncia de abusos sexuais de João de Deus, a Casa Dom Inácio de Loyola, onde ele realizava os atendimentos espirituais, segue aberta. O público, porém, foi reduzido. Segundo voluntários da instituição, em dias de muito movimento, o local chegava a receber 4 mil pessoas por semana. Hoje, não passa de 150, sendo a maioria estrangeiros.

O G1 visitou Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, onde fica situada a Casa, na manhã desta sexta-feira (7). A entrada não foi permitida. No entanto, do lado de fora é possível perceber os reflexos da ausência de João de Deus. Nas quartas, quintas e sextas-feiras, quando ele atendia, havia sempre multidões. Agora, apenas uma ou outra pessoa, sempre de branco, chega para fazer suas orações.

Do outro lado da rua, onde ficavam cerca de 20 táxis, que saíam o tempo todo para fazer corridas, não há mais do que cinco, sem qualquer demanda. Houve também impacto no comércio, com pousadas e lojas fechando as portas ou demitindo funcionários.

De forma geral, as pessoas não querem comentar o assunto. Os poucos que aceitaram falar sobre defenderam João de Deus e classificam como falsas todas as acusações contra ele.

A denúncia contra João de Deus foi exibida no programa Conversa com Bial no dia 7 de dezembro de 2018. Na ocasião, a holandesa Zahira Lieneke Mous contou que foi abusada sexualmente por ele.

Andamentos das denúncias

O Ministério Público denunciou João de Deus dez vezes, sendo que uma das denúncias ainda não foi analisada pela Justiça. Ele é réu nas outras nove, que foram aceitas:

Cinco por crimes sexuais: dessas, duas já tiveram audiência realizada e outras duas estão com audiência marcada;

Uma por crimes sexuais, corrupção de testemunha e coação: ainda não teve audiência;

Uma por crimes sexuais e falsidade ideológica: atualmente está em fase de citação (comunicação ao réu);

Duas por posse ilegal de armas de fogo e munição. Uma de já teve audiência realizada. O TJ não deu detalhes sobre o outro caso.

Queda de movimento

Um voluntário há 20 anos da Casa, que prefere não se identificar, diz que a instituição segue aberta de domingo a domingo, recebendo os visitantes. Ele diz, porém, que os impactos das denúncias não se restringem apenas ao número de pessoas que frequentam a casa: os números de funcionários fixos e até de voluntários caíram.

“Tínhamos 4 mil pessoas aqui por semana. Hoje não passa de 150. Eram 50 empregados fixos, de carteira assinada. Agora só tem 15. Voluntários, que chegou a ter 40, são no máximo 7 ou 8. A cidade girava em torno dele. Todo mundo foi afetado”, afirma.

Segundo o homem, a cidade, que tem cerca de 19 mil habitantes, não se preparou antecipadamente para lidar com a ausência de João de Deus.

“Aqui não tem outra geração de emprego. A cidade não se planejou para isso (prisão) ou qualquer outra coisa que acontecesse com ele. Ele é mortal. E não é assim, morre e coloca outra no lugar. A pessoa tem um dom”, declara.

O homem, que é um comerciante gaúcho de 65 anos e vive em Abadiânia há duas décadas, disse que também está sofrendo no bolso os efeitos da prisão de João de Deus: dos 15 quartos que possui, nenhum está ocupado.

Questionado sobre as denúncias, o voluntário o defendeu e afirmou que jamais presenciou qualquer atitude que o desabonasse.

“Acho que há muita falsidade nas denúncias dessas vítimas. Não tem nenhum cabimento, não tem razão. Nunca vi ou percebi nada de diferente. Para mim, ele é totalmente inocente”, afirma.

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Fonte: G1

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