30/04/2019 11:18 (atualizado em 30/04/2019 11:21)

Ensino Médio Inovador da Escola Pe. Balduíno Rambo desenvolve atividade de resgate histórico focado na evolução do trabalho Várias pessoas participaram do relato que teve por objetivo legar valores, conhecimentos e experiências para as novas gerações.

Na última semana a professora de Português da E. E. B. Pe. Balduíno Rambo de Tunápolis, Franciele W. Toillier, desenvolveu, com as turmas 11 e 12 do EMI – Ensino Médio Inovador, uma atividade de resgate histórico focado na evolução do trabalho. Várias pessoas participaram do relato e no final houve uma confraternização com um saboroso e maravilhoso café colonial. 
Atividade de resgate histórico com relatos de várias pessoa. Foto: Ass/Com Escola.
Dentre os participantes do projeto, está Meno Vicente Bieger, natural de Cerro Largo, e relatou que quando veio com sua família para Tunápolis enfrentou muitas dificuldades. Acabou se dedicando ao trabalho de madeireiro e atuou desde os primeiros sistemas de serra pica pau até o mais moderno. Inicialmente, serravam a madeira para as famílias imigrantes fazer suas casas e galpões de madeira que era retirada da derrubada da mata para plantio de alimentos.
Carlos Afonso Kerkoff, natural de Santo Cristo relatou que o imigrante que vinha para Tunápolis tinha a ideia de que a área de terra precisava ser limpa. Falou da utilização do serrote vaivém, do machado e da prática das queimadas como estratégia de eliminar tocos e entulhos. O plantio era feito por meio da plantadeira manual PEC –PEC, ou com a mão. Quando o terreno era acidentado, fazia-se sulcos com a enxada e se semeava com a mão. O arado era usado somente depois de 3 a 4 anos quando o terreno já estava limpo. A colheita do milho era feita manualmente, bem como, o milho utilizado para alimentação/farinha, era debulhado a mão e mais tarde, com pequenas maquininhas movidas a tração manual. Segundo ele somente no início da década de 70 apareceu a trilhadeira e a motosserra.
Mauricio Baumgratz, vindo de Roca Sales - RS, relatou sobre as dificuldades de acesso à escola e que, em função disso, só terminou o ensino médio em 2013. Contou que, no início, a alimentação básica da família vinha do milho. Ajudou a abrir estradas e cada família imigrante deveria disponibilizar alguém durante sete dias por ano para abrir estradas e trabalhar na sua manutenção, a base de arado e picareta. O transporte de mercadorias e das pessoas era feito de carroça. Alegou que sua família saiu da colônia velha do Rio Grande do Sul, pois a formiga saúva, uma formiga cortadeira devastava toda a plantação. 
Bruno Heberle relatou que estudou na segunda turma da EEB. Pe. Balduino Rambo a se formar no ginasial, oitavo ano da época. Contou que deslocavam-se para a escola com bicicleta. Segundo ele desde muito cedo se envolveu com a vida comunitária, grupos de jovens, clube 4-S, grupo de teatro e de danças. A Organização através dos clube 4-S, trazia formação para mulheres e homens do campo, oferecendo noções básicas de higiene e saúde, bem como capacitação técnica para inovação de práticas agrícolas. Contou a sua experiência na carreira política como candidato a vereador e depois se elegeu como vice prefeito e atuou como secretário da agricultura. Trouxe inovações para o município principalmente na implementação da bacia leiteira, melhoria genética, instalação das primeiras estruturas de silagem, uso de defensivos agrícolas e o plantio direto e a criação da Efacitus. A miséria e a dificuldade de encontrar renda no meio rural, levou ao êxodo rural e levou muitas famílias e jovens abandonar a região, voltando para o RS trabalhar na região calçadista. Disse que nos últimos anos a inovação tecnológica no meio rural revolucionou completamente a relação da vida do homem do campo e hoje, mais do que nunca, ameaça as pequenas propriedades familiares.
Jacinta Heberle relatou que seus pais vieram de Cerro Largo, e que ela nasceu aqui. Sua família, inicialmente, trabalhava no comércio. Depois, foram trabalhar na roça com porcos e algumas vacas. Lembra que seu pai comprou o primeiro rádio da cidade, então, no final do dia, vizinhos e amigos se reuniam para escutar música. A missa era a coisa mais divertida e animada, todos colocavam sua melhor roupa, se produziam para se encontrar em comunidade. Os bailes aconteciam aos domingos. As cartas eram os meios de comunicação e todos ficavam ansiosos pela sua chegada/resposta. 
Iria Dreschler relatou que nasceu na Vila Tunas. Disse que na época o serviço doméstico ficava totalmente para a mulher. Auxiliava em tudo que a família pedia, relatou que as dificuldades foram muitas, mas que era uma época divertida e alegre. 
Maria Paulina Dill relatou que nasceu em Jaboticaba, interior de São João do Oeste e que fizeram várias mudanças até chegar a Tunápolis, onde encontraram terra melhor e melhores condições de saúde. Também contou que, mesmo diante de todas as dificuldades, era uma época muito feliz. 
Sirlei Bohnenberger disse que nasceu na comunidade de Linha Pitangueira e que, quando casou, foi para o Paraguai, Tirol. Passou por muitas dificuldades lá, só mato e teve que começar lá na década de noventa da mesma forma como as pessoas começaram aqui na década de 50. Depois de ter o primeiro filho, repensou a situação e voltaram para o Brasil, Linha Pitangueira onde moram até hoje. 
Inês Terezinha Baumgratz nascida em Santa Cruz do Sul, lembrou que saíram do Rio Grande do Sul porque a terra era muito acidentada e que em Tunápolis encontraram um pedaço de chão para produzir seus alimentos. Iniciou sua vida escolar aqui onde hoje é o centro esportivo. Destacou que a escola na época tinha uma política de repressão contra a língua alemã. 
Final da Atividade com Café Colonial. Foto: Ass/Com Escola.
Conforme os professores envolvidos, o trabalho marca os objetivos do EMI, que é articular-se com a comunidade escolar como elemento central de apoio e fortalecimento das aprendizagens significativas. Eles acreditam que dessa forma a escola cumpre sua função social que é legar valores, conhecimentos e experiências para as novas gerações.

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Fonte: Rádio Tunaporã AM 1260/ Escola

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