20/03/2017 14:00 (atualizado em 20/03/2017 14:42)

Compradores chineses questionam indústrias de SC após 'Carne Fraca' Frigorífico de Jaraguá do Sul foi interditado na operação e dono foi preso. Governador convocou reunião com líderes do setor para esta segunda (20).

Compradores chineses de carne produzida em Santa Catarina pediram explicações para ao menos quatro indústrias que atuam no estado, conforme sindicatos de indústrias da carne de Santa Catarina ao Bom Dia Santa Catarina desta segunda (20).

Os questionamentos surgiram após ser deflagrada a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que combate a venda de carnes vencidas ou de má qualidade em empresas do país. Uma unidade da empresa Peccin Agro Industrial de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, foi interditada na sexta (17). O proprietário foi preso.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) teme a suspensão de contratos  da China e da Rússia, os maiores compradores da produção catarinense. Os dois países representam cerca de 60% das 274 mil toneladas vendidas em 2016, segundo a RBS TV.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), convocou para esta segunda à tarde uma reunião de emergência com o setor de carnes do estado. O encontro é voltado para os produtores e fiscais da indústria. Pela manhã, houve reunião interna entre membros do governo sobre o impacto da operação na economia.

Embora algumas marcas investigadas pela operação tenham unidades no Oeste de Santa Catarina, estas sedes não foram alvo da ação da Polícia Federal. Ainda assim, entidades ligadas ao setor no estado tentam minimizar os impactos econômicos, sobretudo nas exportações.

Governador diz que setor estadual não tem irregularidas

O governador Raimundo Colombo ressaltou nesta segunda-feira (20) que a empresa que foi interditada em Jaraguá do Sul é uma filial de uma indústria do Paraná e é um caso isolado. “O restante dos produtos de Santa Catarina estão confirmados com a qualidade de sempre”, disse.

Colombo diz que "todas as unidades de fiscalização estão em campo" e a maior preocupação do estado é comprometer as exportações. “É uma situação extremamente preocupante. Cerca de 15% do nosso PIB é proteína e isso representa milhares de empregos, milhares de família que vivem do setor”, complementa.

Frigorífico interditado

Um frigorífico de Jaraguá do Sul foi fechado na sexta pela operação e deve permanecer assim até a conclusão de uma auditoria feita pelo Ministério da Agricultura, que começa nesta segunda-feira (20). O dono do frigorífico foi preso e levado ao presídio de Joinville, também no Norte, para depois ser conduzido para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Ele aparece em uma conversa telefônica autorizando que funcionários coloquem carne de cabeça de porco na linguiça, o que é proibido.

Inspeção

O superintende do Ministério da Agricultura em Santa Catarina, Jacir Massi, afirmou que nenhum dos 248 fiscais que atuam no estado tem envolvimento no esquema e que a carne catarinense está acima de qualquer suspeita.

"Posso assegurar os consumidores de que as indústrias do estado de Santa Catarina produzem produtos confiáveis, com salubridade e que o serviço de inspeção no estado de Santa Catarina é eficiente, efetivo e eficaz", disse à RBS TV.

Operação em SC

Além da região Norte, a operação também foi feita em duas cidades do Litoral Norte catarinense. Em Porto Belo foi cumprido um mandado. Já em Balneário Camboriú, os policiais entraram em um apartamento, mas não divulgaram mais informações. Foram expedidos mandados em sete estados do país, para pequenas e grandes empresas do ramo.

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Fonte: G1

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