23/03/2019 08:33

Maia indica que quer deixar articulação sobre reforma da Previdência Presidente da Câmara está insatisfeito com falta de contrapartida do Planalto e com alfinetadas de Carlos Bolsonaro via redes sociais

Até então aliado na agenda do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o deputado federal Rodrigo Maia (DEM) dá sinais de que pode deixar as trincheiras do governo. Após fogo amigo com ministros e, principalmente, com Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro e filho do mandatário da nação, o presidente da Câmara mostra insatisfação para batalhar pela aprovação de propostas do executivo na Casa.

Inclusive, já declarou a interlocutores seu afastamento da articulação pela principal bandeira do Planalto no momento: a reforma da Previdência. Em entrevista ao jornal O Globo, Maia disse que vai continuar defendendo as mudanças nas aposentadorias, mas que só vai colocar em pauta quando Bolsonaro tiver os votos necessários para aprová-la.

— Vou pautar (a reforma) quando o presidente disser que tem votos para votar. A responsabilidade do diálogo com os deputados daqui para frente passa a ser do governo. É ele que vai negociar com os deputados. A reforma da Previdência continua sendo a minha prioridade, mas essa responsabilidade de articular com os deputados para construir uma base sólida é do presidente da República, não do presidente da Câmara. Ele tem que articular diretamente, chamar os presidentes dos partidos, as bancadas, ou chamar e ver no que dá — disse Maia.

Em Santiago, no Chile, Bolsonaro disse que está "disposto a conversar" com Maia.

— Queria saber o motivo pelo qual o Rodrigo Maia está saindo, estou aberto a diálogo, qual o motivo? Eu não dei motivo para ele sair — afirmou Bolsonaro, que está em Santiago, no Chile.

Questionado sobre como tentaria convencê-lo a voltar, o presidente comparou a relação com o líder da Câmara a um namoro.

— Só conversando. Você nunca teve uma namorada? E quando ela quis ir embora o que você fez para ela voltar, não conversou? Estou à disposição para conversar com o Rodrigo Maia, sem problema nenhum.

Fogo cruzado com Carlos Bolsonaro e Sergio Moro

O gatilho mais recente para a insatisfação do democrata foi o disparo de tuítes do herdeiro "zero dois" no clã bolsonariano. Carlos foi às redes sociais defender Sergio Moro, com quem Maia vinha travando pequenos embates desde o início da semana.

Isso porque o ministro da Justiça e Segurança veio a público cobrar celeridade no andamento de seu pacote anticrime na Câmara, o que Maia considera uma barricada para o andamento da reforma da Previdência.

Foi então que, desde a última quarta-feira (20), as investidas de um contra outro tomaram contornos de um conflito mais acirrado. Depois de ficar com cara de poucos amigos durante entrega do projeto da reforma da Previdência para os militares — por defender a proposta sem contrapartida efetiva do Planalto até o momento —, Maia se referiu a Moro como "funcionário do presidente". O deputado disse que o pacote de medidas para segurança era cópia de um texto já apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes.

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Fonte: NSC

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