09/03/2019 08:43

João de Deus é interrogado novamente e usa direito de ficar calado pela primeira vez, diz MP Defesa do médium, réu por crimes sexuais, disse que não teve acesso ao material sobre o qual o cliente foi questionado, por isso não teve tempo de conversar com ele sobre o caso. Laudo aponta depressão grave, e médicos indicaram internação.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) interrogou o médium João de Deus nesta sexta-feira (8) e, segundo o órgão, pela primeira vez o médium usou do direito de ficar calado. Ele está preso em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, dennciado por abusos sexuais, posse ilegal de arma e coação de testemunhas, mas sempre negou os crimes.

Um dos advogados que representa o médium, Alex Neder, disse que a defesa só recebeu o material do MP a respeito do interrogatório na noite de quinta-feira (7), por isso não teve tempo de conversar com o cliente sobre o processo.

"Eu registrei um protesto por não termos o nosso direito de ter acesso à cópia da investigação a tempo. Registrei o meu protesto na ata por não termos acesso aos elementos de investigação com antecedência e, como ele assinou a ata de que iria usar esse direito de ficar calado, eles [os promotores] não fizeram nenhuma pergunta", afirmou.

Saúde de João

Laudos médicos pedidos pela defesa do médium apontam que ele perdeu 17 kg desde que foi detido e que “sua saúde tem piorado apesar da boa vontade dos funcionários do Núcleo de Custódia”, onde está detido. O documento detalha que João de Deus “passa a maior parte do tempo deitado, sem ânimo para nada”, além de dormir mal e chorar com frequência.

O psiquiatra Leo de Souza Machado, que assinou a avaliação psiquiátrica, afirmou no documento que o preso apresenta “prejuízo em domínio de memória e atenção e linguagem” e o diagnosticou com transtorno depressivo grave.

O médico avaliou que o emagrecimento de 20% do peso corporal exige “melhor investigação diagnóstica, internação hospitalar para cuidados clínicos e psiquiátricos”. No laudo ele também recomenda “transferência o mais rápido possível para hospital de alta complexidade”, sob risco de “negligência médica”.

O cardiologista Alberto de Almeida Las Casas Junior também indicou a internação do médium para exames complementares e ajustes na medicação. Ele avaliou que o paciente está com 104 kg, tem pressão alta, apresenta dor e edema na perna direita, tremores nas mãos, tontura esporádica, pouco sono e perda de apetite.

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Fonte: G1

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