25/02/2019 14:42

Exportação de carne suína de Santa Catarina para países do Cone Sul cresce em janeiro Vendas para o Chile aumentou 75%, em relação ao mesmo período de 2018. Negócios com Argentina e Uruguai tiveram índices elevados

O aumento nas vendas de carne suínas para países do Cone Sul – Argentina, Chile e Uruguai – salvou as agroindústrias catarinenses num mês de janeiro que, no cenário nacional, foi negativo tanto na comparação com o mesmo mês do ano passado, quanto em comparação com dezembro.

No primeiro mês de 2019 o Brasil exportou 47 mil toneladas, numa queda de 10% em relação a janeiro do ano passado e 13% em relação a dezembro. O faturamento, de US$ 90 milhões, foi 17% e 13% menor, respectivamente.

Santa Catarina, que respondeu por 53% do volume nacional, exportou 25 mil toneladas, com faturamento de US$ 47 milhões. Em relação a dezembro houve queda de 12% em volume e peso. Já em relação a janeiro de 2018 o valor caiu 8% mas o volume cresceu 2%.

De acordo com o analista de socioeconomia e desenvolvimento rural Alexandre Giehl,  do Centro de Socieconomia e Planejamento Agríciola da Epagri (Cepa/Epagri), houve uma queda nas vendas para os dois maiores compradores no ano passado, China e Hong Kong, de 18% e 51%, respectivamente, mas o Chile comprou 3,9 mil toneladas, num aumento de 75%, e se tornou o segundo maio comprador. A China comprou 7,9 mil toneladas e, Hong Kong, 2,4 mil toneladas. A Argentina comprou 1,9 mil toneladas e teve um crescimento  de 27%, sendo o quinto maior comprador. O Uruguai é o sexto, com 1,2 mil toneladas e crescimento de 241%.

Giehl disse que apesar de janeiro não ter sido um bom mês a perspectiva continua sendo positiva para 2019, também pela retomada da Rússia, que já comprou 983 toneladas em janeiro, no valor de US$ 2,6 milhões.

O secretário de Agricultura do Estado, Ricardo De Gouvêa, também está otimista com relação a um acréscimo das exportações e também no aumento de consumo no mercado interno.

— Há uma situação econômica que está dano sinais de melhora e essa situação da peste suína na China nos dá possibilidade de aumentar os embarques. O México aumentou a compra de frango e esperamos a habilitação para venda de suínos. Estamos estudando a possibilidade de o governador ir ao México para acelerar as tratativas como fizemos com outros países — disse Gouvêa.

Nas aves ele também espera que as conversas com a União Europeia avancem para retirada dos embargos de algumas unidades, assim como com a Arábia Saudita, que em janeiro aumentou os embarques em 15%, somando 7,5 mil toneladas.

No frango também houve queda na exportação brasileira de mais de 10% em relação a janeiro do ano passado mas, em Santa Catarina, houve crescimento de 4% tanto em faturamento quanto em volume, comparando os meses de janeiro.

Santa Catarina exportou 72 mil toneladas no primeiro mês de 2019, totalizando US$ 125 milhões, o que responde por 26% e 28% do volume nacional, respectivamente.

O Japão, que é o maior comprador, reduziu as compras em 28%, somando 9,9 mil toneladas. Mas a China, aumentou 39%, com 7,3 mil toneladas.

— Chamam a atenção as quedas de Hong Kong e Alemanha, ambas superiores a 50%. Ainda não está claro o que motivou essas retrações. No caso de Hong Kong pode ter havido um redirecionamento de parte das importações para os portos da China continental, já que muitas vezes os produtos chegam em Hong Kong e depois são redirecionados para outras províncias. Felizmente diversos outros países aumentaram suas importações e compensaram as quedas, em especial a Arábia Saudita, a China e os Países Baixos — destacou o analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri), Alexandre Giehl.

Também tiveram aumento significativo o México, que cresceu 50%, de 1,4 mil para 2,2 mil toneladas, e o Catar, que passou de 785 para 2,4 mil toneladas, num aumento de 108%.

Interessante observar que as vendas para a União Européia, que aplicou embargos a partir de março do ano passado, teve redução de 8% em volume, de 7,4 mil toneladas para 6,8 mil toneladas, e 11% em faturamento, de US$ 18,7 milhões para US$ 16,6 milhões. A queda com o embargo foi de US$ 2 milhões num mês. O frango representa 20% de tudo o que Santa Catarina exporta.

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Fonte: NSC

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