28/11/2018 08:05

Secretaria de Educação de SC diz que vai prorrogar edital para admitir segundo professor em sala de aula Na semana passada, estado abriu processo seletivo de educadores temporários para 2019 e 2020, mas sem incluir segundos professores com formação em educação especial.

A Secretaria de Estado da Educação anunciou nesta terça-feira (27) que decidiu prorrogar, em caráter excepcional, um edital em vigor para admitir um segundo professor de turma, e que isso vai possibilitar manter e contratar professores temporários para auxiliar os alunos com necessidades especiais.

Na semana passada, o estado abriu processo seletivo de educadores temporários para 2019 e 2020, mas sem incluir segundos professores com formação em educação especial. Por causa disso, o Ministério Público de Santa Catarina abriu inquérito civil público para apurar possível violação aos direitos dos alunos da educação especial da rede estadual. E recomendou à pasta da Educação que não sejam remanejados professores efetivos sem comprovada formação na área.

Atá a última semana, a intenção da Secretaria era, para garantir o segundo professor a todos os alunos que necessitarem, contar com professores efetivos que não têm carga completa: eles poderiam optar por preencher as vagas, assim como aqueles efetivos sem vagas nas salas de aula devido à municipalização do ensino. Nesse caso, eles receberiam formação continuada em educação especial.

Atualmente, em todo o estado são quase 8 mil alunos matriculados na rede pública de ensino que têm algum tipo de necessidade especial e que dependem do segundo professor em sala de aula. No total, são 5.283 profissionais nessa função, que existe desde 2007.

Preocupação

O anúncio da semana passada deixou muitas famílias preocupadas com o próximo ano letivo. Patrícia Marinho, por exemplo, tem um filho autista. A descoberta ocorreu quando ele estava prestes a completar dois anos. Desde então, a mãe faz de tudo para a criança se desenvolver.

Tanto que ele aprendeu a ler e escrever aos 3 anos de idade. E nos últimos quatro anos ele frequenta escola pública, onde conta com o segundo professor, que é especializado em educação especial.

"Porque é uma educação totalmente diferenciada, né. Porque na verdade todas as provas, todos os conteúdos passados para crianças deficientes são adaptados para elas", disse.

Mas ela está preocupada que o Vitor fique sem segundo professor ano que vem. Isso porque a Secretaria Estadual de Educação não incluiu no processo seletivo de professores temporários para os anos de 2019 e 2020 a seleção de segundos professores com formação em educação especial.

"Professor da classe, né. Ele dá a aula para a classe inteira, e o segundo professor fica ao lado do meu filho para adaptar o conteúdo de uma forma que ele entenda", disse Patricia.

Professores

A professora temporária Flávia D'Almeida Barbosa, que se especializou em educação especial, foi surpreendida com a possiblidade de ficar sem emprego e sem os alunos que escolheu ajudar. "Hoje o aluno precisa ter alguém que esteja com ele para qualquer momento. Tem alunos que precisam até no recreio estar juntos", disse.

Para Eloísa Barcellos, especialista em educação especial, é fundamental a presença do professor qualificado em sala de aula para acompanhar esses alunos. "Porque essas pessoas têm direito na igualdade do ensino, mas também tem diferenças que são importantes serem trabalhadas. É um trabalho como qualquer outro especialista. Ninguém pode fazer um trabalho que não é da sua área", disse ela.

Sindicato e equipe de transição

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Estado considerou a decisão um retrocesso.

"Não basta o segundo professor estar acompanhando a segunda pessoa com deficiência. Ele tem que ter uma qualificação que possibilite a ele realmente fazer o trabalho que dê resultado, que possa ajudar de fato para que ele possa progredir na educação regular", disse Aldoir Kraemer.

A equipe de transição do governo também manifestou preocupação.

"Nos preocupa a questão da qualificação desses professores e o novo governo tem uma preocupação muito grande com a qualidade da prestação de serviços. E esse cenário é ainda um pouco nebuloso para nós, precisamos conhecer um pouco mais a realidade 

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Fonte: G1 SC

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